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Carta Aberta dos Estudantes de Medicina da Uefs

Chega de puxadinho! Necessitamos de um espaço com qualidade!

 “Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...”

   Neste ano, o curso de medicina completa dez anos de existência, e bem distante do ideário hegemônico na universidade, que acredita ser este um curso privilegiado — por estarmos fora do espaço físico dos módulos — a realidade que se apresenta é bem divergente deste ideário e semelhante à situação de precarização em que outros setores da universidade se encontram, com algumas particularidades e agravantes referentes à sua situação histórica e seu método de ensino. Instituído sob intensas divergências dentro da comunidade universitária ­—já que seu surgimento estava ligado principalmente a interesses eleitoreiros do governo carlista da época e das elites locais, sem refletir em expansão dos investimentos na universidade e sem criar condições de ensino adequadas dentro desta e do Sistema Único de Saúde, fundamentais para uma graduação de saúde numa universidade pública — o curso de medicina já nasce precarizado.

   Assim, o curso foi instalado num espaço improvisado, no Centro de Administração Universitária I (CAU I), onde nos encontramos até hoje. Espaço este que não apresenta as condições necessárias para um ambiente de ensino. Salas de aula insuficientes e precárias, que não comportam o número de alunos, divididas por compensados e cobertas com isopor e madeira (partes do teto já caíram sobre vários alunos inúmeras vezes), sem ventilação e sem o mínimo de isolamento acústico, o que torna a realização de atividades concomitantes em salas vizinhas quase impossível. Sem falar na falta dos materiais fixos e descartáveis no Laboratório de Habilidades e na falta de professores, que já volta a ser um problema no curso.

   Bem distante de se preocupar com estes problemas e de buscar soluções para tais, a reitoria apresenta nesta última semana a decisão de instalar o restaurante self-service, o “burguesão”, no CAU I. Sem levar em consideração a maior precarização do espaço de ensino que trará a construção do restaurante no mesmo local do funcionamento do curso de medicina, a reitoria decide pela priorização de um privilégio (o restaurante universitário deve ter condições de atender a toda a comunidade universitária, sendo o self-service assim um privilégio para alguns setores que podem pagar por uma alimentação diferenciada) no espaço de uma universidade que pretende ser pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.

   Diante disto, os estudantes de medicina da Uefs colocam-se contra a instalação do “burguesão” no CAU I e repudiam a atitude da reitoria, que reflete o descaso e a desresponsabilização desta para com o curso de medicina. Além disso, ressaltamos a necessidade urgente da construção de um espaço apropriado para a instalação do curso, bem como a construção do ambulatório, tão necessário para as nossas práticas de ensino.

   No bojo destas reivindicações, ainda queremos pontuar a situação por que passa hoje o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), principal campo de ensino dos cursos de medicina e enfermagem da Uefs, que passa por um processo de terceirização. Diante da importância que este hospital tem para a comunidade feirense, em defesa de uma saúde pública, estatal, universal, integral e de qualidade, e pelo entendimento da precarização das relações de trabalho e de ensino que tal medida gera, nos colocamos contra a terceirização do HGCA e na construção das lutas dos trabalhadores da saúde contra tal medida, bem como cobramos uma posição da reitoria, em razão de este ser o nosso principal campo prático.

Diretório Acadêmico de Medicina, Feira de Santana, 25 de março de 2013.